
Na época da escravatura, as terras praticamente virgens, da zona da mata
mineira, eram muito cobiçadas e, por isso, provocavam lutas e tocaias, ceifando a
vida de muita gente. Sendo assim, uma dessas brigas sangrentas, entre famílias rivais, ocorreu na bacia do rio pardo, hoje piacatuba, distrito de leopoldina, mg,
antiga ‘piedade de leopoldina’. Pois é, esses
confrontos, geralmente, envolviam feitores e escravos, e duravam muitos anos. E assim, pra
acabar com essas brigas, duas famílias de piacatuba ergueram uma cruz tosca,
como marco divisor pra ser respeitado, custe o que custar. Acontece que, pra fazer
a cruz, um velho escravo foi chamado pra escolher uma madeira de lei, e assim,
ao ser indagado sobre qual seria, respondeu, “Tapinoã é uma madeira de lei, muito conhecida pelos índios, ela é muito resistente!”. Desta forma, imediatamente,
a madeira escolhida foi tirada da mata e dividida em dois pedaços mal lavrados
pra fazer uma cruz de 6 metros de altura, que seria encravada no topo
do morro, pra ficar bem visível. Infelizmente, uma das
famílias não ficou satisfeita com a divisão e, na calada da noite, o chefe dessa
família insatisfeita reuniu seus feitores e escravos, e lamentou, “Não podemos aceitar essa
divisa, ela está nos roubando muita terra, o jeito é destruir a cruz!”. E desta maneira, os seus escravos
tentaram derrubá-la e tirá-la do solo, mas não conseguiram. Muito irritado, o
fazendeiro ordenou, “Vamos então cortá-la a machadada!”. Mas mesmo assim, o
máximo que seus homens conseguiram, foi amassar o madeiro da cruz. Desta feita, mais irado ainda, o
fazendeiro ordenou, “Homens, ajuntem gravetos secos para colocá-los em volta da
cruz e depois atear fogo!”. Como era de se
esperar, uma imensa fogueira surgiu com enormes labaredas, e o calor era tanto que, ninguém conseguia ficar perto. De longe dava pra ver uma espessa fumaça preta subindo pro céu. Bastante satisfeito,
o senhor raivoso mandou, “Vamos embora, o serviço tá feito!”. No dia seguinte, um
escravo voltou bem cedinho ao lugar da cruz que foi queimada, pra pegar o machado que
tinha esquecido, mas ao chegar no local, não acreditou no que viu, e então,
como um louco, saiu correndo até o casarão da fazenda, gritando, “A cruz ainda
tá lá!, a cruz ainda tá lá!”... Com esse alarido,
todo mundo correu até a citada cruz, e lá estava ela intacta, um pouco
chamuscada, mas soberana. Depois desse acontecimento, um milagre aconteceu, as duas
famílias nunca mais entraram em choque. Por sua vez, a
notícia se espalhou por toda parte, correu mundo, tanto
assim que, uma torre, com a cruz queimada dentro, foi erigida pelo padre
raymundo n. f. de araújo, em 1928, no centro de piacatuba, onde está até hoje,
pra quem quiser visitá-la.
NOTA, no último
encontro dos ex-seminaristas de leopoldina, com a presença do nosso ex-reitor monsenhor chamel, minha esposa e eu ficamos conhecendo a famosa cruz queimada, bem
de perto, foi realmente uma grande emoção. Os dados históricos do
texto foram tirados dos blogs, 'cantoni.pro.br' e 'morrosderecreio.blogspot.com'
anibal
werneckfreitas, em 01/04/2021.