Conversa no Modo IA: cordel: Eu e o disco-voador
Peço um pouco de atenção,
Pra contar uma aventura
Que abalou o meu sertão,
O dia em que um troço estranho
Pousou lá no meu roçado,
Deixando o povo assombrado
E este que vos fala, pasmado.
O gado todo deitado,
Eu vinha vindo da roça
Cansado, meio quebrado,
Quando vi um clarão forte
Clarear todo o lajedo,
Eu que nunca sinto medo
Fiquei sem fala, bem cedo.
Nem fogo de lampião,
Era um disco redondo
Flutuando sobre o chão,
Com luzes piscando em volta,
Azul, verde e amarelo,
Mais brilhante que um castelo,
Num desenho bem singelo.
Bem no meio do metal,
E desceu uma criatura
Com aspecto divinal,
Tinha a cabeça bem grande,
Olhos pretos de assustar,
Mas começou a falar
Pra me tranquilizar.
Disse o bicho em bom compasso,
"Viemos de outra estrela
Viajando pelo espaço,
Queremos conhecer a terra,
Saber como é sua vida,
Se a gente encontra comida
Ou se a rota está perdida."
Seu moço do alastrim,
Aqui a vida é pesada
Mas nós não corremos assim.
Se quiser comer uma paçoca
Ou tomar uma cachaça,
A gente resolve de graça
Antes que a noite passe!"
Que até hoje eu não esqueço,
Disse que o povo da Terra
Tem um valor sem preço.
Entrou no seu disco-voador,
Subiu sumindo no vento,
Deixando no meu pensamento
Aquele grande momento.
Diz que é coisa de inventar,
Mas quem tem olho pra ver
Sabe o que há no luar.
O sertão é terra de graça,
De mistério e de esplendor,
Onde até extraterrestre
Vira amigo de doutor!
