sexta-feira, 3 de abril de 2026

CAUSOS DE ASSOMBRAÇÃO: A SACRISTIA DO OUTRO MUNDO.

Dizem que lá pras bandas de nossa Minas Gerais, na velha Matriz de São Bento, o ar era mais carregado na sacristia, porque a porta de saída dela, dava direto pro cemitério colado nos fundos do templo. Pois bem, numa noite de tempestade, tudo começou assim na Sacristia, ou seja, o Padre Antônio, sujeito de poucas falas e muita reza, tentava organizar os paramentos para a missa no dia seguinte. Ao seu lado, o Sacristão Bonifácio, que tinha mais medo de assombração do que de pecado, tremia a cada trovão, ‘Padre, o senhor ouviu esse arrastar de corrente vindo das tumbas?’, perguntava, limpando o suor da testa com um pano encardido. Realmente, o ambiente na sacristia era assustador, apenas uma vela no castiçal, tentando iluminar tudo, e,  como se não bastasse, neste ínterim, a Beata Francisca, que era Zeladora na igreja, surgiu da penumbra com uma vela na mão, ‘É alma penada!’, gritou Bonifácio de susto. De repente, um sopro gelado apagou a vela de Francisca, a porta pesada da sacristia, que dava para o cemitério, escancarou-se num estrondo, ‘Quem é?’, bradou Padre Antônio, erguendo o crucifixo. Neste exato momento, um vulto branco e alto surgiu no portal. Bonifácio caiu de joelhos pedindo perdão pelos vinhos que bebia escondido e Francisca começou um terço em latim que nem ela entendia. Deste modo, apavorados, todos saíram tropeçando em tudo, correndo como loucos para a Casa Paroquial, enfrentando assim, a forte chuva.

Dizem que, daquela noite em diante, o Sacristão Bonifácio nunca mais bebeu o vinho da Missa sem antes benzer a garrafa três vezes. Enfim, no dia seguinte, com muito medo, todos foram até à Sacristia da igreja pra ver o que tinha acontecido, qual o quê, a dita cuja estava toda arrumadinha com esmero, pois tudo se encontrava no seu devido lugar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário