Em todas as missas, na
hora da Consagração, o momento em que os fiéis se ajoelhavam e abaixavam a
cabeça, só o padre via uma menininha negra de vestido branco, entrando na
igreja e, deste modo, desaparecendo como mágica. Pois bem, isto assombrava
muito o padre, porque diziam ser a igreja muito antiga e mal-assombrada, devido
ao cemitério nos fundos. Como era um homem aberto a todos os credos, o Padre
Abelardo não revelou nada pros seus paroquianos e como não tinha uma resposta
satisfatória na sua crença, imediatamente, procurou a Dona Corina, a benzedeira
mais famosa da cidade, pra resolver a questão.
Deste modo, segundo a
benzedeira, a menina era uma alma que não entendia que já tinha partido. O
vestido branco na consagração sugere uma pureza ou um batismo ou uma comunhão
que não se completou. Sendo assim, o sacerdote começou a pesquisar nuns livros
antigos que tinha na casa paroquial, pra ver se encontrava alguma coisa ligada
à menina. Assim, depois de uma exaustiva procura, ele descobriu um documento
que delineava o nome dos escravos que construíram a igreja e entre eles, o de
uma menina que tinha morrido aos oito anos de idade, ‘Só pode ser ela!’,
questionou.
Desta feita, Padre
Abelardo resolveu rezar uma missa em memória de todos os escravos, citando os
nomes deles durante a cerimônia, inclusive o da menina, que apareceu sorrindo
pra ele. Pois bem, a partir desse dia, a garotinha nunca mais foi vista. O
padre guardou o segredo, entendendo que, às vezes, a Teologia precisa da
sabedoria da terra para que a paz volte a reinar.
NOTA: muitos anos
depois, um caderno, já maltratado pelo tempo, foi encontrado, e nele, esta
história contada pelo próprio padre.
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