quarta-feira, 2 de outubro de 2019

TUDO POR CONTA DO ESPÍRITO SANTO OU NÃO?


O Espírito Santo disfarçado de pomba, na Idade Média Europeia, aparece nas gravuras ungindo reis com seu santo óleo, porque o comando vinha sempre de cima, ou seja, do Céu. Os homens eram apenas canais por onde Deus se manifestava.
Deste modo, eles achavam que a arte era inspirada pelas forças sobrenaturais e não pelos sentimentos humanos.
A teoria clássica grega de que o movimento das estrelas no Universo gerava uma música divina, que causava um equilíbrio físico e psíquico nas pessoas que estavam afinadas a ela, era aceita até pela Igreja e, devido a isso, os artistas não tinham nenhum mérito, porque tudo era obra do Espírito Santo. Tudo que se produzia na arte era pura inspiração divina.
O homem que pensa desta forma até hoje, em pleno século XXI, não está preparado pelo o que vem por aí. O choque será brutal, ele se transformará num fóssil. 
Digo isso porque devido à Revolução Agrícola, o homem só aprendeu a assegurar a sobrevivência e a reprodução de animais domesticados, enquanto ignora suas necessidades subjetivas. É o que nos ensina o historiador israelense, Yuval Noah Harari, que acrescenta, O século XXI será dominado pelos algoritmos, que estão ligados a emoções, que existem também nos animais mamíferos e em alguns répteis. Emoções não são nenhum fenômeno espiritual e sim, algoritmos bioquímicos vitais. Um algoritmo é juntar dois números e dividir a soma deles por dois para obter um resultado. Por exemplo, 4+8, o resultado é 6. Explicando melhor, um algoritmo é um conjunto metódico de passos na realização de cálculos para resolver problemas e tomar decisões. O homem é um algoritmo complexo, que produz cópias de si mesmo, assim como todos os organismos que se reproduzem.
Com a máquina vai acontecer o mesmo num futuro bem próximo, ou seja, elas vão passar a se multiplicarem, donde pergunto, E os homens que ainda contam com a Providência Divina do Espírito Santo, estarão preparados para encarar este Mundo Novo? Ou será que somos apenas um caminho que os elementos naturais estão se evoluindo para se chegar ao Super Homem invulnerável e eterno?
Donde pergunto, E Deus, terá o seu lugar neste futuro próximo da humanidade?

anibal werneckfreitas, 02/10/2019.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Justino e a Estranha Procissão que Aumentava de Tamanho.




Justino era um rapaz boa pinta e ia à igreja, só pra paquerar as filhas bonitas dos fazendeiros, até porque ele não acreditava em nada.
Certa feita, numa noite bem escura, Justino entrou atrás de uma procissão, que tinha saído da capelinha de Sto. Antônio com o destino na matriz N. S. da Conceição, que ficava no alto do morro.
Justino observou que as pessoas estavam todas embevecidas pelo forte clima religioso, de modo que, nem pros lados elas olhavam.
Pois é, o trajeto era longo. 
Justino, que estava com a sã consciência, observou que vultos encapuzados, cujos rostos não davam pra ver, iam engordando o cortejo que levava o Senhor Morto, num esquife.
Quando a procissão chegou na Casa de Deus, os fiéis entraram pelas portas da matriz, e aí, Justino, já meio assustado, viu que estes vultos não fizeram o mesmo, melhor dizendo, se dirigiram pelas laterais do lado de fora do templo católico.
Justino estranhou muito o que via e, como era corajoso, resolveu averiguar o que estava realmente sucedendo.
Acontece que nos fundos da igreja tinha um cemitério, coisa muito comum naquela época, e, quando o Justino viu aqueles seres de roupa preta entrando no Campo Santo e sumindo em meio aos túmulos, não aguentou a barra e caiu desfalecido.
No dia seguinte, foi encontrado na porta do cemitério. Voltou a si, contando toda esta história macabra, todavia, ninguém acreditou nele. 
E você, acreditaria? 

Nota, É bom lembrar que estes contos misteriosos estão espalhados por toda a nossa Minas Gerais.

anibal werneckfreitas, em 06/09/2019. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A Torre da Cruz Queimada


Naquela época da escravatura, as terras eram praticamente virgens, na Zona da Mata Mineira. Muitas lutas e guerrilhas ceifaram a vida de pessoas por causa delas. 
Esta história começa com duas famílias rivais brigando por terrenos na bacia do rio Pardo, hoje Piacatuba, distrito de Leopoldina-MG., antigamente conhecida como, Piedade de Leopoldina.
Voltando aos confrontos, estes envolveram, também, feitores e escravos e, por muito tempo, eles perduraram.
E assim, para acabar com as brigas, uma cruz tosca foi colocada como um marco divisor pra ser respeitado, custe o que custar.
Pois bem, pra fazer a cruz, um velho escravo escolheu uma madeira de lei, que se chamava, tapinoã.
Deste modo, a madeira escolhida foi dividida em dois pedaços mal lavrados para fazer a cruz, que era de 6 metros de altura e foi  encravada  no topo dum morro pra ficar bem visível.
Infelizmente, uma das famílias não ficou satisfeita com a divisão e na calada da noite, reuniu seus feitores e escravos para destruir a cruz.
Para derrubá-la, os escravos tentaram em vão tirá-la do solo. Irritado, o fazendeiro mandou então cortá-la a machadada, mas o máximo que ele conseguiu foi amassar o madeiro da cruz.
Muito irado, obrigou os escravos a ajuntar gravetos secos para colocá-los em volta da cruz e depois atear fogo.
Sendo assim uma fogueira imensa surgiu com enormes labaredas, e o calor era tanto, que ninguém conseguia ficar perto.
Foi realmente uma noite sinistra, de longe dava pra ver o fumaceiro subindo ao céu.
Satisfeito, o senhor ordenou a retirada dos feitores e dos escravos, do local em chamas.
No dia seguinte, um escravo voltou bem cedinho ao lugar sinistro, para pegar a foice que tinha esquecido.
Ao chegar no local, quase desmaiou de espanto, quando viu a enorme cruz intacta que, simplesmente chamuscada, tinha ficado com a cor preta.
Os sacrílegos foram todos castigados sem piedade pelas forças divinas. Somente os escravos foram perdoados, porque não tinham ódio no coração e apenas cumpriam ordens, sob a ameaça das chibatadas no tronco.
A notícia deste fato correu mundo, tanto assim que a Torre da Cruz Queimada foi erigida pelo Padre Raymundo N. F. de Araújo, em 1928, no centro de Piacatuba, para receber turistas.

Nota, No último Encontro dos Ex-Seminaristas de Leopoldina-MG., juntamente com o Monsenhor Chamel, nós visitamos a cruz, que além de enorme, fica dentro de uma torre. 

anibal werneckfreitas, em 05/09/2019.